MER e DER: definições, diferenças e como fazer na prática

Se você está começando no mundo dos dados ou já trabalha com desenvolvimento de sistemas, certamente já ouviu falar em MER e DER. 

Mas, afinal, o que são esses conceitos e por que eles são tão importantes? 

Imagine que você está construindo uma casa: antes de colocar os tijolos, é preciso ter uma planta bem detalhada, certo? 

No universo dos bancos de dados, o MER (Modelo Entidade-Relacionamento) e o DER (Diagrama Entidade-Relacionamento) são como essas plantas, pois ajudam a organizar as informações, definir como os dados se relacionam e garantir que tudo funcione perfeitamente.

Na prática, vamos entender melhor como ambos os conceitos se aplicam em sua rotina profissional? Neste artigo, vamos descomplicar MER e DER e te dar dicas práticas para criar seus próprios modelos.

Vamos lá?

Em resumo: o MER (Modelo Entidade-Relacionamento) é o modelo conceitual que descreve quais dados existem e como se relacionam — entidades, atributos e relacionamentos. O DER (Diagrama Entidade-Relacionamento) é a representação visual desse modelo: o desenho com as caixas e as linhas. Ou seja, o MER é a ideia e o DER é o diagrama que a coloca no papel. Na prática, você cria o MER para planejar o banco de dados e o DER para documentar e comunicar essa estrutura.

O que é o MER?

O MER (Modelo Entidade-Relacionamento) é uma representação conceitual e abstrata de como os dados de um sistema estão organizados. 

Ele é utilizado para planejar a estrutura de um banco de dados, definindo as entidades, atributos e os relacionamentos entre elas. 

Basicamente, então, estamos falando da base para a criação de um banco de dados eficiente e bem estruturado. Entenda melhor os critérios de definição do modelo.

Entidades

Entidades são objetos ou conceitos do mundo real que possuem existência própria e podem ser identificados de forma única. 

Por exemplo: em um sistema de vendas, as entidades podem ser “Cliente”, “Produto” e “Pedido”. Assim, cada entidade é representada como uma tabela no banco de dados.

Atributos

Os atributos são as características ou propriedades das entidades e descrevem detalhes específicos sobre cada entidade. Ainda de carona no exemplo anterior, a entidade “Cliente” pode ter atributos como “Nome”, “CPF” e “Endereço”.

Assim, quando consideramos o conceito em no contexto de um banco de dados, os atributos correspondem às colunas das tabelas.

Relacionamentos

Os relacionamentos definem como as entidades se conectam entre si e representam as interações ou associações entre os objetos do sistema.

O nosso “Cliente” que usamos de exemplo, aqui, pode realizar um “Pedido” e, com isso, cria um relacionamento entre essas duas entidades. Portanto, no MER, os relacionamentos são representados por linhas que conectam as entidades.

O que é o DER?

Pessoa no notebook usando mer e der

O DER (Diagrama Entidade-Relacionamento) é a representação visual do MER. E, como vimos, enquanto o MER é um modelo conceitual, o DER é uma ferramenta gráfica que ilustra as entidades, atributos e relacionamentos de forma clara e intuitiva. 

Dessa maneira, trata-se de uma solução com muita utilidade para os profissionais de banco de dados que necessitam comunicar e documentar a estrutura de um sistema.

Entidades

No DER, as entidades são representadas por retângulos — e cada um contém o nome da entidade, como “Cliente” ou “Produto” para ilustrar uma representação visual capaz de facilitar a compreensão da estrutura do banco de dados.

Atributos

Os atributos são representados por elipses conectadas às entidades correspondentes. Por exemplo, o atributo “Nome” estaria conectado à entidade “Cliente”.

Além disso, alguns casos podem exigir uma classificação distinta, pautada por chaves primárias (identificadores únicos) ou chaves estrangeiras (que estabelecem relacionamentos).

Relacionamentos

Relacionamentos são ilustrados por losangos que conectam as entidades e mostram como as entidades interagem entre si, como “Cliente realiza Pedido” ou “Produto pertence a Categoria”.

Qual é a diferença entre MER e DER?

A diferença entre MER e DER vai além da forma de representação: o primeiro é um modelo conceitual e abstrato, focado na descrição textual das entidades, atributos e relacionamentos, enquanto o segundo é a materialização visual desse modelo — e utiliza símbolos gráficos para ilustrar a estrutura do banco de dados.

Podemos dizer, então, que o MER é como um rascunho inicial. Nele, você define, de forma teórica, como os dados serão organizados. 

Não à toa, trata-se de algo muito popular na fase de planejamento dos projetos, quando definimos como as entidades (como “Cliente” ou “Produto”) se relacionam e quais atributos (como “Nome” ou “Preço”) são necessários. 

Já o DER é a etapa seguinte, em que você transforma esse rascunho em um diagrama claro e visual. Algo que tende a facilitar a comunicação com a equipe, stakeholders ou até mesmo para a documentação técnica.

Além disso, o MER é mais flexível e pode ser adaptado conforme a necessidade do projeto, enquanto o DER exige precisão, já que é a base da implementação do banco de dados.

Entenda melhor as diferenças entre MER e DER no resumo abaixo:

AspectoMERDER
Forma de representaçãoTextual/abstrataGráfica/visual
FocoPlanejamento conceitualVisualização e documentação
Uso principalDefinição inicial da estrutura de dadosComunicação e validação da estrutura
FlexibilidadeMais flexível, adaptávelMenos flexível, precisa ser preciso
Fase do projetoInicial (planejamento)Posterior (validação e implementação)
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MER e DER: quando usar?

Saber quando usar o MER e o DER é crucial para o sucesso de um projeto de banco de dados. Vamos detalhar cada cenário para que você possa aplicar esses conceitos da melhor forma possível.

Quando usar o MER?

O MER tem muita vantagem quando usado na fase inicial de um projeto — aquela em que normalmente estamos planejando a estrutura do banco de dados. 

Nessa etapa, o foco é entender as necessidades do negócio e definir, de forma conceitual, como os dados serão organizados. Por exemplo:

  • Identificação de entidades: quais são os objetos ou conceitos importantes para o sistema? (ex: Cliente, Produto e Pedido, entre outros);
  • Definição de atributos: quais características descrevem cada entidade? (ex: Nome, CPF, Endereço etc.);
  • Estabelecimento de relacionamentos: como as entidades se conectam? (ex: Um Cliente realiza um Pedido).

Vale lembrar, então, que o MER é mais abstrato e permite ajustes rápidos, o que é muito importante nessa fase de planejamento.

Além disso, serve como um guia para que todas as regras de negócio estejam representadas antes de partir para a fase de implementação.

Quando usar o DER?

Mulher no notebook entendendo o que são mer e der

O DER entra em cena quando você precisa transformar o MER em algo visual e tangível. Ou seja: é utilizado em fases posteriores do projeto, principalmente para:

  • Comunicação com a equipe: facilita a compreensão da estrutura do banco de dados, especialmente para desenvolvedores, analistas e stakeholders;
  • Validação do modelo: é possível visualizar possíveis erros ou inconsistências antes da implementação;
  • Documentação técnica: o diagrama serve como referência para a manutenção e evolução do sistema.

Como já adiantamos, trata-se de um modelo mais detalhado, portanto, e que exige mais precisão, já que será a base para a criação das tabelas, colunas e relacionamentos no banco de dados físico.

MER e DER: juntos são mais fortes

Embora MER e DER tenham aplicações diferentes, são modelos complementares. Vamos recapitular rapidinho? O MER é o ponto de partida, enquanto o DER é a evolução natural desse processo. 

Então, por que não usá-los juntos? Com essa perspectiva, você tem um banco de dados bem planejado, documentado e fácil de implementar. Para que fique mais claro, entenda melhor por meio de um exemplo focado no projeto de um e-commerce:

  1. Fase do MER: você define que existem entidades como “Cliente”, “Produto” e “Pedido”, com atributos como “Nome”, “Preço” e “Data”;
  2. Fase do DER: você cria um diagrama visual que mostre como essas entidades se relacionam, como “Cliente realiza Pedido” e “Pedido contém Produto”.

Leia também: Correção da Estrutura de um Banco de Dados – Como fazer? 3 Anomalias em Bancos de Dados

MER e DER: quais são os benefícios de usar?

MER e DER têm muitas vantagens, no desenvolvimento de sistemas e bancos de dados, que se estendem à organização de informações. E, a seguir, vamos a fundo nesses para que você compreenda o quão eficiente os seus projetos podem ser com o auxílio de ambos os modelos.

Organização

Precisa de ajuda para estruturar os dados de forma lógica e coerente?

Conte com o MER e DER, pois, com ambos, você consegue definir claramente as entidades, atributos e relacionamentos, evitando que informações importantes fiquem soltas ou mal organizadas.

Nem precisamos dizer o quanto isso é importante para criar um banco de dados que atenda às necessidades do negócio, certo?

Clareza

Um dos maiores desafios em projetos de banco de dados é garantir que todos os envolvidos entendam a estrutura proposta.

O DER, com sua representação visual, torna a compreensão do sistema mais intuitiva, e facilita a comunicação entre desenvolvedores, analistas e stakeholders.

Eficiência

Ao planejar o banco de dados com MER e DER, você evita redundâncias (dados repetidos) e inconsistências (informações conflitantes). Isso resulta em um sistema mais eficiente, com menos desperdício de recursos e maior performance.

Documentação

O DER serve como uma documentação técnica do banco de dados, pois detalha como as entidades e os relacionamentos estão estruturados.

Isso auxilia na manutenção e evolução do sistema, especialmente quando novos desenvolvedores precisam entender o projeto.

Prevenção de erros

Os modelos permitem a identificação — e correção — de problemas ainda na fase de planejamento, antes que eles se tornem falhas críticas no sistema.

Isso reduz custos e retrabalhos durante a implementação.

Escalabilidade

Um banco de dados bem modelado com MER e DER está preparado para crescer.

Se no futuro for necessário adicionar novas entidades ou relacionamentos, a estrutura já estará organizada para receber essas mudanças.

Como fazer um MER na prática?

Vamos aprender, a seguir, como criar um MER e planejar a estrutura do seu banco de dados. Confira cada etapa!

Identifique as entidades

As entidades são os objetos ou conceitos principais do sistema. Pense em quais elementos são essenciais para o negócio.

Por exemplo: em um sistema de vendas, as entidades podem ser “Cliente”, “Produto” e “Pedido”.

Defina os atributos

Cada entidade possui características específicas, chamadas de atributos. Para a entidade “Cliente”, os atributos podem ser “Nome”, “CPF”, “Email” e “Endereço”. Já para “Produto”, podem ser “Nome”, “Preço” e “Categoria”.

Profissional no notebook trabalhando com mer e der

Estabeleça os relacionamentos

Agora, defina como as entidades se conectam. Por exemplo, um “Cliente” pode realizar um “Pedido”, e um “Pedido” pode conter vários “Produtos”. Esses relacionamentos são a base para a estrutura do banco de dados.

Valide o modelo

Antes de partir para a implementação, revise o MER para que todas as regras de negócio estejam representadas. Verifique se não há atributos redundantes ou relacionamentos faltantes.

Documente o MER

Registre todas as decisões tomadas durante a criação do MER. Isso será útil para consultas futuras e para a criação do DER. 

Quer ver isso tudo compilado de maneira organizada? Então, entenda ainda mais por meio de um exemplo em que vamos imaginar um sistema de biblioteca:

  • Entidades: “Livro”, “Autor”, “Usuário”, “Empréstimo”.
  • Atributos:
    • Livro: “Título”, “ISBN”, “Ano de Publicação”.
    • Autor: “Nome”, “Nacionalidade”.
    • Usuário: “Nome”, “Matrícula”, “Email”.
  • Relacionamentos:
    • Um “Usuário” pode realizar vários “Empréstimos”.
    • Um “Livro” pode ter um “Autor”.

Seguindo esses passos, você terá um MER pronto para ser transformado em um DER.

Como fazer um DER na prática?

A criação de um DER envolve a utilização de ferramentas e técnicas específicas. Vamos ver como fazer o processo passo a passo?

Utilize uma ferramenta de modelagem

Existem várias ferramentas disponíveis para criar DERs, como:

  • MySQL Workbench: Ideal para quem já trabalha com MySQL;
  • Lucidchart: Uma opção online e colaborativa;
  • Draw.io: Simples e gratuita, perfeita para iniciantes.

Desenhe as entidades

Cada entidade é representada por um retângulo, no DER, lembra-se? Assim, por exemplo, para um sistema de e-commerce, você pode ter entidades como “Cliente”, “Produto” e “Pedido” para tornar a visualização mais eficiente.

Adicione os atributos

Os atributos são representados por elipses conectadas às entidades. Por exemplo, a entidade “Cliente” pode ter atributos como “Nome”, “CPF” e “Endereço”. Destaque os atributos que são chaves primárias (identificadores únicos).

Ilustre os relacionamentos

Os relacionamentos são representados por losangos que conectam as entidades. Assim, um “Cliente” realiza um “Pedido”, e um “Pedido” contém vários “Produtos”. 

Dica: use verbos para descrever os relacionamentos, como “realiza” ou “contém”.

Revise o diagrama

Após criar o DER, revise-o para certificar-se de que tudo está claro e preciso. Verifique se todos os relacionamentos estão corretos e se não há atributos ou entidades faltantes.

Documente o DER

Salve o diagrama e compartilhe-o com a equipe. Ele servirá como referência durante a implementação do banco de dados.

Agora, vamos a um exemplo de ponta a ponta para entender a fundo o papel do DER. Em um sistema de escola, temos:

  • Entidades: “Aluno”, “Curso”, “Matrícula”;
  • Atributos:
    • Aluno: “Nome”, “RA”, “Email”;
    • Curso: “Nome”, “Carga Horária”.
  • Relacionamentos:
    • Um “Aluno” pode se matricular em vários “Cursos”;
    • Uma “Matrícula” está associada a um “Aluno” e a um “Curso”.

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Conclusão

O MER e o DER são ferramentas indispensáveis para a modelagem de dados, cada uma com seu papel específico no desenvolvimento de bancos de dados.

Enquanto o MER ajuda a planejar a estrutura de forma conceitual, o DER facilita a visualização e comunicação dessa estrutura. 

Dominar esses conceitos é essencial para quem deseja trabalhar com ciência de dados ou desenvolvimento de sistemas. 

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